O versículo estabelece a regra para a manifestação pública do dom de línguas, limitando a dois ou três falantes por vez e exigindo a presença de um intérprete para a edificação da igreja.
Explicação Histórica
A expressão 'língua estranha' (γλώσσῃ - glossa) refere-se ao dom espiritual de falar em línguas, uma linguagem não aprendida pelo falante. 'Faça-se isso por dois, ou quando muito três' (δύο ἢ τὸ πλεῖστον τρεῖς) impõe um limite numérico estrito para a quantidade de pessoas que podem manifestar o dom de línguas em uma reunião, evitando o caos. 'Por sua vez' (ἀνὰ μέρος) indica que as manifestações devem ser sequenciais, não simultâneas. 'E haja intérprete' (διερμηνευτής ἔστω) é a condição sine qua non para a manifestação pública de línguas, pois sem a interpretação, o dom não edifica a congregação (1 Coríntios 14:5), sendo apenas para edificação pessoal (1 Coríntios 14:4).
Interpretação Doutrinária
Este versículo reafirma a validade do dom de línguas como uma operação do Espírito Santo (1 Coríntios 12:10). No entanto, a doutrina pentecostal clássica, como a da CCB, entende que o exercício público desse dom deve ser estritamente ordenado e acompanhado de interpretação. Isso assegura que o propósito principal do culto, que é a edificação da igreja e a manifestação da glória de Deus, seja cumprido, evitando confusão e promovendo a compreensão da mensagem divina por todos os presentes.
Aplicação Prática
O cristão é exortado a buscar os dons espirituais com fervor, mas a exercê-los no culto com discernimento, humildade e ordem. A manifestação de línguas na congregação deve ser sempre acompanhada pela oração e busca do dom de interpretação, ou pela presença de um irmão com este dom, para que a mensagem divina seja inteligível, todos sejam edificados e glorifiquem a Deus.
Precauções de Leitura
É um erro comum usar este versículo para proibir o dom de línguas, quando na verdade ele o regulamenta. Também é um erro ignorar as instruções de ordem e a necessidade de interpretação, o que pode levar a manifestações desordenadas que não edificam ou mesmo escandalizam, contrariando o objetivo de Paulo em 1 Coríntios 14:33.