"Se pois toda a igreja se congregar num lugar e todos falarem línguas estranhas e entrarem indoutos ou infiéis não dirão porventura que estais loucos"
Textus Receptus
"Se, pois, toda a igreja se congregar em um lugar, e todos falarem em línguas, e entrarem aqueles que são iletrados ou os incrédulos, não dirão que estais loucos? "
Este versículo adverte que o uso indiscriminado e coletivo de línguas sem interpretação em uma assembleia da igreja pode levar visitantes indoutos ou infiéis a considerar os membros como insanos.
Explicação Histórica
A expressão 'toda a igreja se congregar num lugar' refere-se à assembleia pública dos crentes para o culto. 'Todos falarem línguas' (γλῶσσαι, *glōssai*) indica a vocalização simultânea de línguas desconhecidas pelos presentes. A palavra 'estranhas', em itálico na tradução Almeida, não está no texto grego original, mas esclarece que se trata de idiomas não compreendidos. 'Indoutos ou infiéis' (ἰδιῶται ἤ ἄπιστοι) denota pessoas não familiarizadas com o culto cristão ou que ainda não creem. A pergunta retórica 'não dirão porventura que estais loucos?' sublinha a percepção negativa e a falta de testemunho eficaz que tal desordem geraria.
Interpretação Doutrinária
A doutrina pentecostal/CCB reconhece a atualidade e a validade do dom de línguas, mas este versículo sublinha a importância da ordem e do propósito edificante no seu exercício público. Embora as línguas sejam um sinal divino, sua manifestação em assembleia deve visar à edificação e à clareza, especialmente na presença de não-crentes. O texto reforça que a manifestação dos dons espirituais deve promover a reverência e o testemunho eficaz do Evangelho, consolidando a doutrina de que a adoração deve ser inteligível e ordeira para todos, crentes e não-crentes.
Aplicação Prática
O cristão deve buscar exercer os dons espirituais com discernimento, visando sempre à edificação coletiva e ao bom testemunho. Em assembleias públicas, a ordem e a clareza devem prevalecer, garantindo que a presença do Espírito Santo seja percebida como santa e convicta, e não como confusa, a fim de atrair os de fora e fortalecer os de dentro.
Precauções de Leitura
É crucial não usar este versículo para proibir o dom de línguas (1 Coríntios 14:39), mas para regulamentar seu uso público. O alerta de Paulo não é contra as línguas em si, mas contra a desordem e a falta de interpretação que impedem a compreensão e a edificação, especialmente para visitantes. A interpretação deve considerar que o propósito das línguas para o crente é também a edificação pessoal (1 Coríntios 14:4).