"De sorte que as línguas são um sinal não para os fiéis mas para os infiéis e a profecia não é sinal para os infiéis mas para os fiéis"
Textus Receptus
"Portanto as línguas são um sinal, não para os que creem, mas para os que não creem; mas a profecia não serve para os que não creem, mas para os que creem. "
Este versículo diferencia o propósito primário das línguas e da profecia, indicando que as línguas servem como sinal para os descrentes, enquanto a profecia se destina aos crentes.
Explicação Histórica
A palavra 'línguas' (γλῶσσαι, glōssai) refere-se ao dom sobrenatural de falar em idiomas desconhecidos. 'Sinal' (σημεῖον, sēmeion) denota um indicador ou uma prova milagrosa. O contraste é estabelecido entre 'infiéis' (ἄπιστοι, apistoi), que são os descrentes, e 'fiéis' (πιστεύοντες, pisteuontes), os crentes. Paulo cita implicitamente Isaías 28:11-12 no versículo anterior para mostrar que as línguas estranhas eram um sinal de julgamento ou um aviso divino para Israel, aplicando essa lógica aos descrentes que as ouvem hoje.
Interpretação Doutrinária
A interpretação pentecostal clássica afirma a validade e a atualidade dos dons espirituais. Este versículo sublinha a funcionalidade específica das línguas como um sinal visível da intervenção divina, podendo levar descrentes à convicção, como ocorreu em Atos 2. A profecia, por sua vez, é divinamente inspirada para instruir, consolar e edificar os crentes (1 Coríntios 14:3), consolidando a fé e o crescimento espiritual na comunidade.
Aplicação Prática
O cristão deve compreender que os dons espirituais possuem propósitos distintos na adoração pública. É fundamental buscar a manifestação dos dons, especialmente a profecia, para a edificação da igreja. Ao exercer as línguas, o crente deve considerar o contexto e a necessidade de interpretação para que sirva de sinal e não de escândalo para os infiéis, e para que haja edificação dos fiéis (1 Coríntios 14:27-28).
Precauções de Leitura
É um erro comum isolar este versículo para argumentar que as línguas são *apenas* para os infiéis ou que são *sempre* um sinal de condenação. O texto deve ser lido no contexto mais amplo de 1 Coríntios 14, que enfatiza a ordem e a edificação na igreja. Não se deve desconsiderar o valor das línguas para a edificação pessoal (1 Coríntios 14:4) ou o papel da interpretação para que sirvam à igreja. Tampouco deve-se negligenciar a primazia da profecia para a edificação comunitária.