Estêvão confronta seus ouvintes, acusando-os de terem recebido a Lei divina mediada por anjos no Sinai, mas falhado persistentemente em guardá-la.
Explicação Histórica
A frase 'recebestes a lei por ordenação dos anjos' (em grego, 'εἰς διαταγὰς ἀγγέλων') alude à crença judaica, conforme também referenciado em Gálatas 3:19 e Hebreus 2:2, de que a Lei Mosaica foi promulgada no Monte Sinai com a presença ou por intermédio de anjos. 'Não a guardastes' indica a falha contínua do povo de Israel em obedecer aos preceitos e mandamentos divinos contidos na Lei Mosaica.
Interpretação Doutrinária
A Lei, sendo de origem divina e mediada por anjos, é santa e justa, revelando a vontade de Deus. A incapacidade humana de guardá-la integralmente, evidenciada na história de Israel, demonstra a pecaminosidade inerente à humanidade e a necessidade de um Salvador. Conforme a doutrina pentecostal, a Lei aponta para Cristo, cuja graça oferece a salvação e capacita o crente, por meio do Espírito Santo, a viver uma vida de santidade e obediência que a Lei exigia, mas o homem natural não podia cumprir.
Aplicação Prática
O cristão deve reconhecer a autoridade da Palavra de Deus e buscar a obediência aos seus preceitos, não por mera força de vontade, mas pela fé em Jesus Cristo e pela capacitação do Espírito Santo. A graça nos leva ao arrependimento e nos habilita a agradar a Deus, demonstrando que a verdadeira obediência vem do coração transformado.
Precauções de Leitura
Não se deve usar este versículo para desvalorizar a Lei de Deus, que é santa, justa e boa, nem para justificar a desobediência sob o pretexto da graça. O propósito da Lei era revelar o pecado e apontar para a necessidade de Cristo. A salvação pela graça não anula a busca pela santificação e obediência, mas a torna possível.