Moisés fugiu do Egito após ser rejeitado por um compatriota israelita e passou a viver como estrangeiro na terra de Midiã, onde constituiu família.
Explicação Histórica
A expressão "E a esta palavra fugiu Moisés" refere-se à indagação desafiadora do israelita que o rejeitou, levando-o a temer as consequências e buscar refúgio. O termo "fugiu" (ἔφυγεν, efygen) denota uma partida rápida e forçada. Estar "como estrangeiro" (πάροικος, paroikos) enfatiza sua condição de residente temporário sem direitos de cidadania em Midiã, uma região fora do controle egípcio. O fato de "onde gerou dois filhos" (Gersom e Eliezer, conforme Êxodo 18:3-4) destaca a nova fase de sua vida durante este período de exílio.
Interpretação Doutrinária
A fuga de Moisés e seu tempo como estrangeiro em Midiã ilustram a soberania divina que age mesmo em face da rejeição humana e do exílio. Este período de quarenta anos não foi um desvio, mas uma fase de provação e preparo espiritual, onde Deus moldou Moisés para o grande livramento. A doutrina pentecostal reconhece que Deus permite e usa circunstâncias difíceis para purificar, santificar e capacitar Seus servos para o propósito divino, demonstrando Sua paciência e Seu plano perfeito. É um exemplo de como o homem de Deus, mesmo rejeitado, é preparado por Deus em um deserto (Êxodo 3:1-10).
Aplicação Prática
O cristão deve confiar nos caminhos de Deus, mesmo quando a vida apresenta períodos de espera, rejeição ou deslocamento. Deus utiliza todas as experiências, incluindo as adversidades e o "deserto", para amadurecer a fé e preparar o crente para Seu serviço. É fundamental manter a paciência e a santificação, sabendo que o Senhor tem um tempo determinado para cada chamado e propósito, e que Ele jamais abandona Seus filhos (Hebreus 11:13-16).
Precauções de Leitura
Não se deve interpretar a fuga de Moisés como um ato de covardia isolado, mas como parte do plano divino para sua vida e para a libertação de Israel. O texto não endossa a fuga de responsabilidades, mas sim a providência divina que redirecionia os passos de Seus servos. Evite desconectar este evento da subsequente chamada de Deus a Moisés e da narrativa maior de Estêvão sobre a providência divina e a resistência do povo.