O apóstolo Paulo questiona a lógica de crentes buscarem tribunais seculares para resolver disputas entre si, entregando julgamentos de assuntos terrenos a pessoas sem discernimento espiritual.
Explicação Histórica
A expressão 'negócios em juízo, pertencentes a esta vida' refere-se a litígios e disputas civis e materiais, distinguindo-os de questões espirituais ou eternas. A frase 'pondes na cadeira aos que são de menos estima na igreja?' é uma questão retórica. 'Menos estima' (do grego 'exoutheneo') significa desprezar, ter em pouca conta. Paulo está ironizando a situação: se os coríntios consideram pessoas 'de menos estima' (provavelmente descrentes ou irmãos sem discernimento para tais questões) aptas para julgar, por que não há alguém sábio na igreja para fazê-lo (1 Coríntios 6:5)?
Interpretação Doutrinária
Este texto consolida a doutrina da suficiência da Igreja, guiada pelo Espírito Santo, para resolver seus próprios conflitos internos sem recorrer a instâncias mundanas. Ele reforça a crença na capacidade de discernimento concedida por Deus aos Seus servos, destacando que os crentes, mesmo em assuntos terrenos, possuem uma sabedoria superior àquela dos não-crentes, e devem buscar a paz e a justiça dentro da comunhão de forma ordeira e espiritual.
Aplicação Prática
O cristão é exortado a buscar a resolução de desavenças com irmãos dentro da própria igreja, através da mediação de irmãos experientes e espirituais, evitando expor a igreja ao mundo e preservando a unidade e o testemunho de Cristo.
Precauções de Leitura
É crucial não isolar este versículo para proibir toda e qualquer interação de crentes com o sistema legal secular, mas sim aplicá-lo ao contexto de disputas civis *entre irmãos* que podem e devem ser resolvidas internamente. Não justifica a nomeação de pessoas sem sabedoria espiritual para julgar dentro da igreja, mas sim critica a entrega de tais julgamentos a quem não tem o discernimento do Espírito (fora ou dentro da igreja) quando há aqueles que o têm.