O apóstolo Paulo questiona a atitude dos crentes de Corinto que levavam suas disputas e questões judiciais perante tribunais seculares, em vez de resolvê-las dentro da comunidade da fé.
Explicação Histórica
'Ousa' (tolmaô) expressa espanto e censura pela ousadia ou audácia imprópria dos crentes. 'Negócio contra outro' (pragma kata tinos) refere-se a uma disputa legal ou contenciosa entre dois indivíduos. 'Injustos' (adikoi) designa aqueles que estão fora da comunhão com Deus, os não-crentes, cujos julgamentos não se baseiam em princípios divinos. 'Santos' (hagioi) se refere aos crentes, os separados por Deus, membros da Igreja, que deveriam julgar com base na sabedoria espiritual.
Interpretação Doutrinária
A doutrina pentecostal/CCB enfatiza que a Igreja, como corpo de Cristo, é uma comunidade separada do mundo, com o Espírito Santo habitando em seus membros, tornando-os aptos a discernir e resolver conflitos internos. Levar tais disputas a tribunais seculares desonra o nome de Cristo e a capacidade do Espírito em guiar a Igreja, revelando uma falha na santificação e na busca pela paz e unidade entre os irmãos.
Aplicação Prática
O crente deve buscar resolver quaisquer desavenças ou litígios com outros irmãos dentro da congregação, sob a orientação dos mais experientes e da Palavra de Deus, visando a reconciliação e a manutenção do bom testemunho da Igreja perante o mundo, evitando trazer escândalo ao nome de Cristo.
Precauções de Leitura
Não se deve interpretar este versículo como uma proibição absoluta de recorrer à justiça secular em *todas* as circunstâncias, especialmente em casos criminais graves ou onde não haja alternativa justa dentro da Igreja. O foco é em 'negócios' ou disputas civis entre irmãos que poderiam ser resolvidas internamente, para não expor as fraquezas da comunidade a descrentes e macular o testemunho cristão.