O versículo afirma que aquele que se une ao Senhor estabelece com Ele uma profunda e singular comunhão espiritual, tornando-se "um mesmo espírito".
Explicação Histórica
A expressão "o que se ajunta" (do grego ho kollōmenos) denota uma união íntima e indissolúvel, como a de "colar" ou "grudar". "Com o Senhor" refere-se a Jesus Cristo, mediante a fé. "É um mesmo espírito" (do grego hen pneuma estin) indica uma profunda comunhão do espírito humano do crente com o Espírito de Cristo, uma unidade de propósito, vontade e comunhão, não uma fusão ontológica de suas essências.
Interpretação Doutrinária
Esta unidade espiritual com o Senhor é a essência da nova vida em Cristo, onde o crente é vivificado pelo Espírito Santo, que o habita e o guia (Romanos 8:9-11). É por meio desta união que a obra de santificação se opera, capacitando o crente a viver em obediência e a manifestar os dons espirituais para a edificação da Igreja. Esta doutrina reforça a importância da comunhão com Deus para a vida cristã e a prática da piedade.
Aplicação Prática
Os fiéis devem buscar aprofundar sua comunhão com o Senhor Jesus Cristo através da oração, da meditação na Palavra e da obediência à Sua vontade, para que essa unidade espiritual se manifeste em santidade e frutos do Espírito. Devem também evitar toda sorte de impureza, especialmente a sexual, pois ela profana o templo do Espírito Santo que é o corpo do crente (1 Coríntios 6:18-20).
Precauções de Leitura
Deve-se evitar interpretar "um mesmo espírito" como uma fusão mística ou panteísta, que anule a individualidade do crente ou divinize o homem. A união é de natureza espiritual e de comunhão profunda, mantendo-se a distinção entre Criador e criatura. Não se deve, também, usar este versículo para minimizar a seriedade do pecado, sob a alegação de uma união inabalável.
Referências Citadas
1 Coríntios 6:12-16, 1 Coríntios 6:18-20, Romanos 8:9-11