O versículo questiona a incongruência de santos, que futuramente julgarão o mundo, serem incapazes de resolver disputas cotidianas entre si.
Explicação Histórica
'Não sabeis vós' é uma questão retórica que expressa a surpresa e desaprovação de Paulo, pressupondo que os coríntios deveriam ter conhecimento desta verdade. Os 'santos' referem-se aos crentes em Cristo, separados para Deus, que 'hão de julgar o mundo' em co-participação com Cristo no juízo final (Daniel 7:27, Mateus 19:28, Apocalipse 20:4). A expressão 'coisas mínimas' contrasta com o 'mundo' e denota as questões triviais ou litígios diários entre os irmãos na igreja.
Interpretação Doutrinária
A doutrina pentecostal/CCB entende este versículo como uma afirmação da futura glória e autoridade espiritual dos salvos em Cristo, que participarão do juízo divino sobre o mundo. Isso ressalta a importância da santificação ('santos') e da capacitação pelo Espírito para discernir e julgar retamente as questões, não apenas espirituais, mas também práticas dentro da comunidade de fé. A capacidade de resolver conflitos internos demonstra a maturidade e a sabedoria que devem caracterizar os crentes, em contraste com a dependência de sistemas mundanos, honrando assim o Corpo de Cristo.
Aplicação Prática
O cristão deve buscar resolver pacificamente as suas contendas com outros irmãos dentro da igreja, confiando na sabedoria concedida por Deus e na autoridade espiritual da comunidade de fé. É imperativo que os crentes desenvolvam discernimento e maturidade para lidar com as 'coisas mínimas' da vida, refletindo a dignidade e a responsabilidade de quem foi chamado para um propósito eterno.
Precauções de Leitura
Deve-se ter cautela para não interpretar 'julgar o mundo' como uma licença para exercer juízo condenatório sobre os descrentes no presente, mas sim como uma participação futura no juízo escatológico de Deus. Igualmente, não se deve banalizar as 'coisas mínimas' como irrelevantes, mas entender a exortação como um chamado à competência e à responsabilidade dos crentes em todas as esferas da vida eclesiástica, evitando a desonra do nome de Cristo perante o mundo.