Jesus confronta os seus questionadores, pedindo para ver a moeda do tributo e perguntando sobre a efígie e a inscrição nela.
Explicação Histórica
A 'efígie' (grego: eikōn) refere-se à imagem estampada na moeda, que, no contexto romano da época, seria a face do imperador (Tiberius). A 'inscrição' (grego: epigraphe) era o texto gravado na moeda, contendo os títulos e, por vezes, as reivindicações divinas do imperador. A pergunta de Jesus força os seus interlocutores a reconhecerem a autoridade implicitamente aceita por eles no uso daquela moeda.
Interpretação Doutrinária
Este episódio demonstra a sabedoria divina de Cristo e a sua autoridade em discernir os corações dos homens e as suas intenções (Salmos 7:9). A posse da moeda com a imagem e inscrição do imperador simbolizava uma aceitação prática da autoridade civil, uma verdade que a doutrina pentecostal reconhece como um dever dos crentes, sujeitando-se às autoridades governamentais estabelecidas por Deus (Romanos 13:1). Contudo, a pergunta de Jesus prepara o terreno para a distinção fundamental de que o homem, feito à imagem de Deus (Gênesis 1:26-27), deve a Ele sua total submissão e adoração.
Aplicação Prática
O cristão é chamado a ser honesto e cumprir suas obrigações civis, como o pagamento de impostos, pois isso reflete a ordem divina para a sociedade. Contudo, deve manter um discernimento espiritual, lembrando-se que sua lealdade e adoração supremas pertencem exclusivamente a Deus, a quem sua própria vida pertence e reflete a imagem.
Precauções de Leitura
É um erro interpretar este versículo como uma justificação para a completa separação entre fé e engajamento cívico, ou para a submissão incondicional a qualquer autoridade terrena que contrarie os mandamentos de Deus. Também não se deve utilizá-lo para negar as responsabilidades do cristão na sociedade, nem como endosso à divinização de líderes políticos.
Referências Citadas
Mateus 22:15-19, Mateus 22:21, Romanos 13:1, Gênesis 1:26-27, Salmos 7:9