Alguns dos presentes zombaram dos discípulos, sugerindo que o comportamento deles era resultado de embriaguez por vinho novo.
Explicação Histórica
A expressão 'outros, zombando' (em grego, 'alloi de diamokterizontes') indica um grupo distinto que reagiu com escárnio e desprezo. O termo 'mosto' (em grego, 'gleukos') refere-se a vinho novo ou doce, que, mesmo em fase inicial de fermentação, podia ser potente e inebriante. A acusação de estarem 'cheios de mosto' era uma tentativa de descreditar a manifestação espiritual, atribuindo-a a uma causa carnal e profana, em vez de divina.
Interpretação Doutrinária
A zombaria em resposta à manifestação do Espírito Santo em Atos 2:13 ilustra a incompreensão do mundo para com as coisas espirituais. A doutrina pentecostal enfatiza que o derramamento do Espírito, com a subsequente manifestação de dons como o falar em línguas (Atos 2:4), é um evento divino e sobrenatural que muitas vezes transcende o entendimento humano e pode ser alvo de escárnio por aqueles que não discernem o Espírito (1 Coríntios 2:14). Este episódio reforça a distinção entre a obra divina e as influências mundanas.
Aplicação Prática
O cristão hoje deve estar preparado para enfrentar incompreensão e até zombaria ao manifestar a fé ou os dons espirituais concedidos por Deus. É uma exortação a permanecer firme na experiência do Espírito Santo, sem se abalar pelas reações negativas do mundo, confiando na validade da obra divina.
Precauções de Leitura
É crucial não isolar este versículo para concluir que a manifestação do Espírito Santo sempre causa confusão ou é passível de ser confundida com embriaguez. Pelo contrário, a Bíblia destaca a ordem e o propósito dos dons (1 Coríntios 14:33). A reação de zombaria representa o desprezo de alguns, não a natureza da experiência espiritual em si, que é de edificação e louvor a Deus (Atos 2:11).