Jesus, referindo-se a Si mesmo como a 'sabedoria de Deus', prediz que Deus enviará profetas e apóstolos que serão rejeitados, perseguidos e até mortos por aqueles a quem são enviados.
Explicação Histórica
'Sabedoria de Deus' (sophia tou theou) é uma expressão que, neste contexto, refere-se a Jesus Cristo, que corporifica a sabedoria divina e fala com autoridade profética (cf. 1 Coríntios 1:24). O ato de 'mandarei' (pempsō) no futuro indica a ação soberana e contínua de Deus em enviar Seus emissários. 'Profetas' (prophētas) denota os mensageiros do Antigo Testamento e aqueles que falam sob a inspiração divina. 'Apóstolos' (apostolous) refere-se especificamente aos enviados de Cristo comissionados para pregar o evangelho e estabelecer a Igreja (Lucas 6:13, Atos 1:8). A frase 'matarão uns, e perseguirão outros' descreve o destino hostil que aguardava esses mensageiros, desde o martírio até diversas formas de oposição e sofrimento.
Interpretação Doutrinária
Este versículo afirma a soberania de Deus em Seu plano de redenção, que inclui o envio de mensageiros divinos, tanto profetas quanto apóstolos, para revelar Sua vontade e chamar os homens ao arrependimento. A 'sabedoria de Deus' identificada com Jesus Cristo sublinha Sua divindade e onisciência. Para a teologia pentecostal clássica, a menção de profetas também reforça a crença na atualidade dos dons espirituais, onde o Espírito Santo continua a suscitar profetas para a edificação da igreja, mesmo que o ofício apostólico fundador tenha sido único. A perseguição sofrida por esses mensageiros ilustra a realidade da oposição espiritual ao Evangelho e a necessidade de santificação e perseverança dos fiéis, conforme o modelo de Cristo e Seus apóstolos.
Aplicação Prática
O cristão deve reconhecer e valorizar os mensageiros que Deus levanta, discernindo a mensagem conforme as Escrituras. Devemos estar preparados para enfrentar perseguições e adversidades por causa da fé, seguindo o exemplo dos profetas e apóstolos. O chamado à santificação envolve a fidelidade a Cristo mesmo em face da oposição, confiando que a sabedoria de Deus prevalecerá.
Precauções de Leitura
É crucial não isolar este versículo para justificar qualquer reivindicação de profecia ou apostolado sem o devido discernimento bíblico e espiritual. A perseguição descrita é uma consequência do testemunho, não um fim em si. Não se deve interpretar que a rejeição dos mensageiros de Deus, embora prevista, é aprovada; pelo contrário, ela resulta em juízo divino. Também não se deve igualar o ofício apostólico fundador, único na história da Igreja Primitiva, com todas as formas de ministério profético e evangelístico contemporâneo.
Referências Citadas
1 Coríntios 1:24, Lucas 6:13, Atos 1:8, Lucas 11:37, Lucas 11:47-48, Lucas 11:50-51