"Usaram também de astúcia e foram e se fingiram embaixadores e tomaram sacos velhos sobre os seus jumentos e odres de vinho velhos e rotos e remendados"
Textus Receptus
"Eles agiram com astúcia, foram e se fizeram de embaixadores, e levaram sacos velhos sobre os seus jumentos, e garrafas de vinho, velhas, rotas e remendadas;"
Os gibeonitas, para enganar os israelitas, usaram de astúcia, fingindo serem embaixadores de uma terra distante e trazendo provisões velhas e desgastadas para simular sua jornada.
Explicação Histórica
A frase 'usaram também de astúcia' (em hebraico, 'la'asot mach'ereh') refere-se a uma ação calculada e enganosa. 'Fingiram embaixadores' ('vayit'chaz'ku la'ch'tarim') indica que eles se apresentaram falsamente como mensageiros de uma nação estrangeira, com o objetivo de não serem reconhecidos como habitantes de Canaã. A descrição dos 'sacos velhos' ('kelayot yash'nim') e 'odres de vinho velhos, e rotos, e remendados' ('vatim shel yayin yetz'anot u'mkul'kalot') serve como evidência visual para sustentar sua mentira, sugerindo uma longa e árdua viagem.
Interpretação Doutrinária
Este episódio ilustra a soberania de Deus em permitir que a astúcia humana, mesmo que pecaminosa, seja usada para cumprir Seus propósitos maiores. Embora a mentira dos gibeonitas seja condenável, ela leva à consolidação do pacto de Israel com eles, o que, de uma perspectiva mais ampla, cumpre a ordem de não poupar os cananeus (Êxodo 34:11-16), ao mesmo tempo que estabelece um precedente para a aliança e a integração de estrangeiros na comunidade de Israel sob certas condições. Reforça a ideia de que Deus pode usar até mesmo os desígnios ímpios para Seus fins, mas não endossa o pecado.
Aplicação Prática
Devemos viver em verdade e integridade, evitando qualquer forma de engano ou falsidade em nossas relações. A confiança e a transparência devem caracterizar a vida cristã, refletindo a honestidade de Deus.
Precauções de Leitura
É crucial não interpretar este versículo como uma aprovação bíblica da mentira ou da astúcia para obter vantagens. A ação dos gibeonitas é apresentada como uma estratégia desonesta que, embora usada por Deus para um fim, não deve ser imitada. Deve-se evitar a aplicação indiscriminada de 'deixar Deus usar a astúcia para Seus propósitos' como justificativa para o engano.