"Tu pois filho do homem dize aos filhos do teu povo A justiça do justo não o fará escapar no dia da sua prevaricação e quanto à impiedade do ímpio não cairá por ela no dia em que se converter da sua impiedade nem o justo pela justiça poderá viver no dia em que pecar"
Textus Receptus
"Portanto, tu, filho do homem, dize aos filhos do teu povo: A justiça do justo não o livrará no dia da sua transgressão; quanto à perversidade do perverso, não cairá assim no dia em que se desviar da sua perversidade; nem o justo será capaz de viver pela sua justiça no dia em que ele pecar."
A justiça não livra o justo de pecar, nem a impiedade impede a conversão do ímpio, nem a justiça passada garante a vida se o justo pecar.
Explicação Histórica
O hebraico "tzedek" (justiça) e "resha" (impiedade/mal) são centrais. O versículo declara que a 'justiça do justo' (tzedek hatzdik) não pode salvá-lo se ele subsequentemente 'prevaricar' (yishkóv - lit. deitar, cair em, errar). Da mesma forma, a 'impiedade do ímpio' (resha' harasha') não o condenará definitivamente se ele 'se converter' (yashuv - lit. retornar, arrepender-se) de sua impiedade. A frase final reitera que nem mesmo a 'justiça' (tzedek) anterior do justo pode fazê-lo 'viver' (yichyeh - lit. viver, ser salvo) se ele pecar ('yecheta' - lit. errar, pecar).
Interpretação Doutrinária
Este texto reforça a doutrina bíblica da responsabilidade pessoal perante Deus, central na teologia da CCB. Não há salvação automática ou mérito que transcenda as ações presentes do indivíduo. A justiça divina opera de forma equitativa, onde a conversão sincera (arrependimento e volta para Deus) é valorizada e a persistência no pecado leva à condenação, independentemente das obras passadas. Enfatiza a necessidade contínua de santificação e vigilância.
Aplicação Prática
Todo crente deve entender que a salvação é um processo contínuo que requer perseverança na fé e santidade. Não podemos viver de méritos passados; a vida cristã exige vigilância constante contra o pecado e um retorno imediato a Deus em caso de queda, através do arrependimento.
Precauções de Leitura
Não interpretar este versículo como uma negação da graça de Deus ou da obra expiatória de Cristo. A 'justiça' aqui se refere a obras justas e obediência à lei mosaica, não à justiça imputada pela fé em Jesus. O foco é na responsabilidade individual no contexto da antiga aliança, mas com princípios aplicáveis à necessidade de perseverança na Nova Aliança.