O apóstolo Paulo ora para que o Deus que é a fonte de paciência e consolação conceda aos crentes a unidade de propósito e sentimentos, seguindo o exemplo de Cristo Jesus.
Explicação Histórica
'Deus de paciência e consolação' refere-se à natureza divina como provedora e inspiradora dessas virtudes nos crentes. 'Mesmo sentimento' (grego: to auto fronéin) indica ter a mesma mente, o mesmo propósito ou a mesma atitude uns para com os outros, refletindo harmonia e unidade interior, não necessariamente uniformidade de opinião em todos os detalhes. 'Segundo Cristo Jesus' estabelece que o modelo e o padrão para essa unidade de pensamento e ação é a própria vida e conduta de Jesus Cristo, marcada pelo altruísmo e serviço.
Interpretação Doutrinária
A oração de Paulo destaca a soberania de Deus como a fonte das virtudes necessárias para a vida cristã e a unidade da igreja. A concessão do 'mesmo sentimento' alinha-se à doutrina pentecostal da santificação e da busca por uma vida em conformidade com Cristo, onde a comunhão e o amor mútuo são frutos do Espírito Santo e evidências de maturidade espiritual. A paciência e a consolação são atributos divinos que se manifestam na igreja, permitindo aos crentes suportarem uns aos outros em amor, como Cristo nos amou (João 13:34-35).
Aplicação Prática
O cristão deve buscar ativamente a unidade e a harmonia com os irmãos na fé, cultivando paciência e oferecendo consolo. Isso implica em submeter-se à vontade de Deus, pedindo que Ele conceda essa disposição interior, e esforçando-se para imitar a humildade e o serviço de Cristo Jesus em suas interações.
Precauções de Leitura
É crucial não interpretar 'mesmo sentimento' como a anulação da individualidade ou como uma demanda por uniformidade absoluta de pensamento em questões não essenciais. A ênfase é na unidade de propósito em Cristo e no amor, e não em uma imposição de opiniões. Além disso, a oração de Paulo não isenta os crentes do esforço pessoal para viver em paz (Romanos 12:18).
Referências Citadas
Romanos 14; Romanos 15:1-3; Romanos 15:6; Romanos 12:18; João 13:34-35