"Para o natural dos filhos de Israel e para o estrangeiro que no meio deles peregrina uma mesma lei vos será para aquele que isso fizer por erro"
Textus Receptus
"Tereis uma única lei para aquele que pecar por ignorância, tanto para o nascido entre os filhos de Israel como para o estrangeiro que peregrina entre eles."
Este versículo estabelece que a lei divina sobre sacrifícios por pecados cometidos por ignorância aplica-se igualmente a israelitas e estrangeiros residentes entre eles.
Explicação Histórica
O termo 'natural' (em hebraico, 'ezrach') refere-se a quem nasceu em Israel. 'Estrangeiro' (ger, em hebraico) é aquele que reside temporariamente ou permanentemente em Israel. 'Peregrina' (ger, em hebraico) reforça a ideia de residência estrangeira. 'Erro' (shogeg, em hebraico) significa um ato não intencional, um engano ou inadvertência, em contraste com um ato feito deliberadamente ('b'yad ramah'). A frase 'uma mesma lei' (torah echad) indica uniformidade e igualdade na aplicação da lei.
Interpretação Doutrinária
Este versículo demonstra a equidade e a abrangência da lei de Deus, que não se restringe apenas aos nascidos em Israel, mas estende-se àqueles que vivem sob a sua égide. Isso prefigura a inclusão de gentios no povo de Deus através da Nova Aliança, onde a lei é escrita nos corações (Jeremias 31:33), e a salvação é oferecida a todos que creem em Cristo Jesus, tanto judeus quanto gentios (Romanos 3:29-30). A provisão para o erro aponta para a necessidade de expiação para todos os seres humanos.
Aplicação Prática
Devemos reconhecer que a lei de Deus e seus preceitos são universais em sua aplicação moral e espiritual. Embora a lei cerimonial do Antigo Testamento tenha sido cumprida em Cristo, os princípios morais e a necessidade de perdão pelo pecado (seja ele cometido por ignorância ou descuido) permanecem. Buscamos a santificação, e quando falhamos por inadvertência, confiamos no sacrifício redentor de Jesus Cristo para obter perdão e reconciliação com Deus.
Precauções de Leitura
Não se deve isolar este versículo para argumentar que a lei mosaica cerimonial ainda é obrigatória para os cristãos. A ênfase aqui é na uniformidade da lei divina e na necessidade de expiação por todos, o que aponta para a obra redentora de Cristo, que cumpre a lei.