"Não deis aos cães as coisas santas nem deiteis aos porcos as vossas pérolas para que não as pisem com os pés e voltando-se vos despedacem"
Textus Receptus
"Não deis o que é santo aos cães, nem lanceis aos porcos as vossas pérolas, para que não suceda que as pisem com os seus pés, e voltando-se novamente, vos despedacem."
Jesus adverte seus discípulos a exercitarem discernimento na partilha de verdades espirituais sagradas, evitando profanação e hostilidade por parte daqueles que as desprezam.
Explicação Histórica
As 'coisas santas' e 'pérolas' simbolizam as verdades divinas, os ensinamentos do Reino e as experiências espirituais profundas. Os 'cães' e 'porcos' são metáforas bíblicas para pessoas impuras, hostis ou espiritualmente insensíveis, que não compreendem ou valorizam o sagrado (Deuteronômio 23:18; Levítico 11:7). A advertência é que tais indivíduos não só 'pisariam' (desprezariam) essas verdades, mas também, 'voltando-se', 'despedaçariam' (atacariam) o mensageiro.
Interpretação Doutrinária
A doutrina pentecostal clássica enfatiza a santidade da Palavra de Deus e das manifestações espirituais. Este versículo sublinha a necessidade de sabedoria e discernimento divinos, concedidos pelo Espírito Santo, para proteger a pureza da mensagem do Evangelho e a integridade da Igreja. Não se trata de negar a salvação a ninguém, mas de exercer cautela e discernimento na apresentação das verdades mais profundas, para que o que é santo não seja profanado e para evitar hostilidade desnecessária contra os servos de Deus. A salvação é para todos que se arrependem e aceitam Cristo.
Aplicação Prática
O cristão deve buscar em oração a sabedoria divina para discernir quando e como compartilhar as verdades do Evangelho, especialmente aquelas mais profundas da fé, com pessoas que demonstram hostilidade, zombaria ou completo desinteresse. Devemos pregar o Evangelho a toda criatura (Marcos 16:15), mas com discernimento sobre o 'solo' espiritual, protegendo o que é sagrado e a si mesmo de retaliações desnecessárias.
Precauções de Leitura
É crucial não usar este versículo para justificar o elitismo espiritual, a omissão da evangelização ou o julgamento permanente de indivíduos. Ele não proíbe a pregação do Evangelho a todos (Marcos 16:15), mas adverte contra a partilha indiscriminada de verdades sagradas com aqueles que manifestam desprezo evidente, a fim de proteger a pureza da mensagem e o mensageiro. O termo 'cães' e 'porcos' descreve uma atitude presente, não uma condenação eterna ou uma proibição de compartilhar o amor de Cristo com todos, que sempre pode levar ao arrependimento.