"E uns soldados o interrogaram também dizendo E nós que faremos E ele lhes disse A ninguém trateis mal nem defraudeis e contentai-vos com o vosso soldo"
Textus Receptus
"E também os soldados perguntaram-lhe, dizendo: E nós, o que faremos? E ele lhes disse: Não pratiqueis violência a nenhum homem, nem acuseis ninguém falsamente, e contentai-vos com o vosso salário."
João Batista orienta soldados a não praticarem violência, extorsão ou fraude, e a se contentarem com seu salário legal.
Explicação Histórica
'A ninguém trateis mal' (do grego mē sykopantēsēte) pode ser traduzido como 'não extorquais' ou 'não calunieis', referindo-se ao abuso de poder. 'Nem defraudeis' (mē diasykofantēsēte) reforça a ideia de não fazer acusações falsas para fins de extorsão. 'Contentai-vos com o vosso soldo' (arkeisthe tois opsōniois hymōn) instrui à satisfação com a remuneração legal, sem buscar ganhos ilícitos.
Interpretação Doutrinária
Este texto ilustra que o arrependimento, conforme pregado por João Batista e necessário para a salvação em Cristo, exige uma mudança prática e ética de conduta. Ele fundamenta a busca pela santificação pessoal, demonstrando que a fé deve manifestar-se em integridade, honestidade e renúncia à corrupção em todas as profissões, incluindo as seculares, e no contentamento com a provisão divina.
Aplicação Prática
O cristão deve viver com integridade, honestidade e ética em seu ambiente de trabalho, abstendo-se de qualquer forma de abuso de poder, extorsão ou fraude. É necessário buscar o contentamento com a remuneração lícita, rejeitando a ganância e os ganhos ilícitos, e assim demonstrar o fruto do arrependimento genuíno.
Precauções de Leitura
É crucial não interpretar estas instruções isoladamente do contexto mais amplo da pregação de João Batista sobre arrependimento e a vinda de Cristo para a salvação. Estas ações são frutos da transformação interior e não um meio para a salvação em si, nem uma validação incondicional de qualquer profissão sem a devida conduta cristã.