"Agora pois se é que em verdade e sinceridade obrastes fazendo rei a Abimeleque e se bem fizestes para com Jerubaal e para com a sua casa e se com ele usastes conforme ao merecimento das suas mãos"
Textus Receptus
"Agora, portanto, se agistes verdadeira e sinceramente ao constituírem Abimeleque rei, e se tratastes bem a Jerubaal e à sua casa, e lhe fizestes segundo o merecimento das suas mãos; "
Este versículo questiona a retidão e a justiça das ações do povo de Siquém em relação a Abimeleque, Jerubaal (Gideão) e sua casa, ponderando a legitimidade de sua eleição como rei.
Explicação Histórica
O termo hebraico 'et' (אֵת) em 'et-gam' (se é que) introduz uma condição ou uma indagação sobre a verdade e a sinceridade ('em reais e retidão' - 'im-ken veshalom' - אם־כן וְשָׁלֹם, lit. 'se assim e em paz'). A pergunta central é se a coroação de Abimeleque foi um ato justo ('bem fizestes' - 'im-tov') em relação a Jerubaal (Gideão) e sua família, e se o tratamento dispensado a Abimeleque foi proporcional ao que ele merecia ('conforme ao merecimento das suas mãos' - 'kemidat yedei-hem' - כְּמִדַּת יְדֵיהֶם, lit. 'na medida de suas mãos').
Interpretação Doutrinária
Este versículo ilustra a soberania de Deus sobre os reinos e as nações, mesmo quando estes agem com iniquidade. Reforça a doutrina da responsabilidade humana diante de Deus e a consequência dos atos injustos, mesmo quando realizados em nome de uma suposta legitimidade política ou popular. A falta de retidão e sinceridade nas ações do povo de Siquém demonstra a necessidade da justiça divina que, posteriormente, julgará seus atos pecaminosos. (Vide Deuteronômio 25:15 para o princípio de 'medida justa').
Aplicação Prática
O cristão deve sempre pautar suas ações, sejam elas pessoais ou coletivas, em princípios de verdade, retidão e justiça, buscando fazer o bem e agir de forma proporcional e merecida em todas as relações. A busca pela santificação implica em examinar as motivações e os resultados de nossas condutas, assegurando que elas honrem a Deus e aos princípios do Evangelho.
Precauções de Leitura
Evitar interpretar este versículo isoladamente, sem considerar a narrativa de violência e intriga que o precede e a consequente maldição e juízo divino que se seguem. Não justificar ações injustas ou violentas com base em resultados políticos ou populares, pois Deus julga pela intenção e pela retidão do coração.