"E Geazi passou adiante deles e pôs o bordão sobre o rosto do menino porém não havia nele voz nem sentido e voltou a encontrar-se com ele e lhe trouxe aviso dizendo Não despertou o menino"
Textus Receptus
"E Geazi passou adiante deles, e pôs o bordão sobre a face da criança; porém não houve nem voz, nem audição. Porquanto ele foi, novamente, encontrá-lo e lhe contou, dizendo: O menino não está acordado. "
Geazi tentou reanimar o menino morto usando o bordão de Eliseu, mas não houve qualquer sinal de vida ou sucesso.
Explicação Histórica
O termo 'bordão' (מַקֵּל - maqqel) refere-se a um cajado, frequentemente um símbolo de autoridade ou instrumento de um pastor ou profeta. 'Pôs o bordão sobre o rosto do menino' indica a aplicação direta do objeto. A expressão 'não havia nele voz nem sentido' (וְאֵין קוֹל וְאֵין קֶשֶׁב - w'ên qôl w'ên qeshev) significa literalmente a ausência de som (voz) e de atenção ou resposta (sentido), confirmando a total falta de vida. 'Não despertou o menino' é o relatório conciso de Geazi sobre o insucesso da tentativa.
Interpretação Doutrinária
Este episódio demonstra que o poder de Deus não reside em objetos materiais por si mesmos, nem na mera execução mecânica de um comando, mas na soberana vontade divina e na operação do Espírito Santo através de Seus servos. Embora o bordão fosse um instrumento de Eliseu, a manifestação do milagre dependia da presença e intervenção direta do profeta ungido por Deus, e fundamentalmente, da concessão divina. Isso consolida a doutrina pentecostal de que Deus opera milagres através de instrumentos humanos, mas o poder emana exclusivamente d'Ele, exigindo fé e obediência.
Aplicação Prática
O crente deve compreender que o poder para operar na vida espiritual e para a manifestação de milagres provém unicamente de Deus. A busca por soluções e intervenções divinas deve ser fundamentada na fé, na oração fervorosa e na dependência total do Senhor, e não na superstição, rituais vazios ou na crença em objetos com poder intrínseco. A verdadeira unção vem do Espírito Santo para aqueles que buscam a santificação pessoal.
Precauções de Leitura
É crucial não interpretar o 'bordão' como um amuleto ou objeto com poder mágico em si. A falha de Geazi serve como um alerta contra a ideia de que a imitação de um ato profético ou o uso de um objeto 'sagrado' garantirá o mesmo resultado sem a devida unção, direção divina e a soberana vontade de Deus. O poder está em Deus, não nos meios materiais.