"Porém o Senhor teve misericórdia deles e se compadeceu deles e tornou para eles por amor do seu concerto com Abraão Isaque e Jacó e não os quis destruir e não os lançou ainda da sua presença"
Textus Receptus
"E o SENHOR foi gracioso para com eles, e deles teve compaixão, e teve respeito para com eles, por causa do seu pacto com Abraão, Isaque e Jacó e não quis destruí-los, tampouco ele os lançou da sua presença até aquele momento. "
O Senhor demonstrou misericórdia e compaixão por Israel, abstendo-se de destruí-los completamente, devido à Sua fidelidade à aliança feita com Abraão, Isaque e Jacó.
Explicação Histórica
A expressão "teve misericórdia deles, e se compadeceu deles" (em hebraico, raham e hanan) enfatiza a profunda compaixão e graça divina, um favor imerecido. "Tornou para eles" indica que Deus restaurou Sua atenção e favor para com Israel, afastando Seu olhar de juízo total. A frase "por amor do seu concerto com Abraão, Isaque e Jacó" aponta para a base teológica da ação de Deus: a aliança incondicional (berith) estabelecida com os patriarcas (Gênesis 12:1-3; Gênesis 15:18; Gênesis 17:7-8). "Não os quis destruir, e não os lançou ainda da sua presença" revela a restrição do juízo final, preservando a existência da nação de Israel e a esperança de cumprimento das promessas divinas, mesmo diante da apostasia.
Interpretação Doutrinária
Este texto reforça a doutrina pentecostal clássica da fidelidade de Deus à Sua Palavra e às Suas alianças, independentemente da inconstância humana. A misericórdia divina, manifestada na preservação de Israel, ilustra a paciência de Deus que dá tempo para o arrependimento (Atos 17:30). Tal como a aliança com os patriarcas foi a base para a sustentação de Israel, a Nova Aliança em Cristo é a base da salvação pela graça, exigindo fé e arrependimento. A busca pela santificação e a atualidade dos dons espirituais são respostas à manifestação dessa graça e fidelidade divinas.
Aplicação Prática
O crente deve confiar na infalível fidelidade de Deus, mesmo quando falha. A misericórdia divina nos convida ao arrependimento sincero e à busca contínua por uma vida de santificação e obediência, sabendo que Ele é fiel para cumprir Suas promessas, sustentando e direcionando Seu povo.
Precauções de Leitura
É crucial não interpretar a misericórdia de Deus como uma licença para pecar ou como a anulação das consequências da desobediência. O texto mostra que, apesar da misericórdia, Israel sofreu opressão, e a preservação do povo não significou aprovação de sua idolatria. A aliança com os patriarcas garantiu a continuidade do povo, mas não isentou os indivíduos ou a nação da disciplina divina pelos seus pecados.