Após a rigorosa instrução de Jesus sobre o divórcio, os discípulos expressam que, dada a condição exigente do casamento, talvez não seja vantajoso casar.
Explicação Histórica
A expressão 'Se assim é a condição do homem relativamente à mulher' remete diretamente ao ensino de Jesus nos versículos anteriores (Mateus 19:9) sobre a gravidade do divórcio e do novo casamento, que Ele equipara ao adultério, exceto em caso de 'fornicação' (porneia). Os discípulos entendem que o casamento, sob essa perspectiva de indissolubilidade e fidelidade estrita, impõe uma responsabilidade imensa. A frase 'não convém casar' (em grego, ou sympherei gamesai) significa 'não é vantajoso', 'não é proveitoso' ou 'não é conveniente casar', indicando uma percepção humana da dificuldade em manter tal padrão rigoroso.
Interpretação Doutrinária
A reação dos discípulos evidencia o alto valor e a santidade do matrimônio, conforme ensinado por Jesus, que o estabelece como uma união monogâmica e indissolúvel instituída por Deus desde a criação. A dificuldade percebida pelos discípulos ressalta a necessidade de submissão à vontade divina e a busca pela graça para cumprir os preceitos de Cristo. Isso prepara para a compreensão de que, embora o casamento seja santo, o celibato também pode ser um chamado divino para aqueles que o podem receber, alinhando-se com a valorização tanto do casamento quanto do serviço dedicado ao Reino, como ensinado na Congregação Cristã no Brasil.
Aplicação Prática
O cristão deve encarar o casamento com a seriedade de um pacto vitalício perante Deus, buscando a graça divina para cumprir os votos de fidelidade e permanência. A percepção dos discípulos serve como um alerta para a necessidade de reflexão profunda e oração antes de assumir tal compromisso, reconhecendo que a vida cristã exige a superação das inclinações carnais pela força do Espírito. Para aqueles que não se casam, o versículo, em seu contexto mais amplo, abre caminho para o entendimento de que o celibato pode ser um dom espiritual para servir a Deus com dedicação exclusiva.
Precauções de Leitura
É crucial não interpretar a declaração dos discípulos como uma doutrina ou um comando divino para evitar o casamento. Trata-se de uma reação humana à exigência moral de Jesus, não uma condenação do matrimônio em si. Este versículo não deve ser isolado do contexto imediato (Mateus 19:4-9 e Mateus 19:11-12), que juntos formam a base do ensino de Jesus sobre o casamento, o divórcio e o celibato. O casamento é uma instituição divina e boa, e a dificuldade apontada pelos discípulos serve para realçar a seriedade e o caráter sagrado dessa união.