"Desde então começou Jesus a mostrar aos seus discípulos que convinha ir a Jerusalém e padecer muito dos anciãos e dos principais dos sacerdotes e dos escribas e ser morto e ressuscitar ao terceiro dia"
Textus Receptus
"Desde esse tempo começou Jesus a mostrar aos seus discípulos que ele deveria ir a Jerusalém, e sofrer muitas coisas dos anciãos, e dos principais sacerdotes e escribas, e ser morto, e ressuscitar ao terceiro dia."
Jesus começa a revelar aos Seus discípulos a necessidade divina de Sua ida a Jerusalém para sofrer, ser morto pela liderança judaica e ressuscitar ao terceiro dia. Este anúncio marca uma mudança fundamental em Seu ministério, focando-se em Sua missão sacrificial.
Explicação Histórica
A expressão "Desde então começou" (ἀπὸ τότε ἤρξατο, apó tóte ērxato) indica uma nova fase no ensino de Jesus, onde o foco se desloca da Sua identidade para a Sua missão sacrificial. O verbo "convir" (δεῖ, dei) expressa uma necessidade divina e inevitável, um imperativo moral e teológico, não meramente uma possibilidade. Os "anciãos, principais dos sacerdotes, e dos escribas" representam o Sinédrio, a autoridade religiosa judaica que seria instrumental em Sua condenação. O anúncio de "ser morto e ressuscitar ao terceiro dia" é a essência do evangelho, prefigurando a consumação da obra redentora de Cristo.
Interpretação Doutrinária
Este versículo sublinha a doutrina central da Congregação Cristã no Brasil sobre a expiação e a ressurreição de Cristo. A 'conveniência' ou 'necessidade' da Paixão de Cristo revela o plano divino para a salvação da humanidade, onde Jesus, o Cordeiro de Deus, cumpriu as profecias do Antigo Testamento, como as de Isaías 53. Sua morte e ressurreição, explicitamente declaradas para o "terceiro dia", são o fundamento da fé, a prova de Sua divindade e o meio pelo qual a justificação e a nova vida são concedidas aos que nEle creem, conforme ensinado em 1 Coríntios 15:3-4. A obra de Cristo é o único caminho para a salvação.
Aplicação Prática
Para o cristão hoje, este texto ressalta a importância de aceitar plenamente o sacrifício de Cristo na cruz como o único meio de redenção e a realidade da Sua ressurreição como a esperança da vida eterna. Ensina que o discipulado verdadeiro implica em seguir a Cristo, compreendendo que o sofrimento pode ser parte do plano divino, e que a obediência à Sua vontade é fundamental, mesmo quando exige sacrifício pessoal. É um convite à fé e à submissão ao Senhorio de Jesus.
Precauções de Leitura
Deve-se evitar a interpretação de que o sofrimento e a morte de Jesus foram meros acidentes históricos ou fruto de forças políticas. O texto enfatiza a necessidade divina, o plano soberano de Deus. Também, não se deve separar o sofrimento e a morte da ressurreição; ambos são indissociáveis para a compreensão da obra salvífica de Cristo. Minimizar qualquer um dos aspectos compromete a doutrina bíblica da salvação. Evite focar excessivamente na culpa humana sem reconhecer a providência divina.