"Mas tu és nosso Pai ainda que Abraão nos não conhece e Israel não nos reconhece Tu ó Senhor és nosso Pai nosso Redentor desde a antiguidade é o teu nome"
Textus Receptus
"Sem dúvida tu és nosso Pai, embora Abraão não saiba a nosso respeito, e Israel não nos reconheça. Tu, ó SENHOR, és nosso Pai, nosso Redentor; teu nome é desde a eternidade."
O profeta proclama que, apesar do esquecimento de Abraão e Israel (como nação), o Senhor é o Pai e Redentor eterno de Seu povo.
Explicação Histórica
A expressão 'nosso Pai' (אָבִינוּ - 'avīnū') expressa um vínculo de paternidade e soberania divina. 'Abraão nos não conhece' (אַבְרָהָם לֹא יְדָעָנוּ - 'av̱rāhām lō yəðā‘ānū') e 'Israel não nos reconhece' (יִשְׂרָאֵל לֹא יַכִּירֵנוּ - 'yiśrā’ēl lō yakkı̄rēnū') indicam uma possível falha de reconhecimento ou ligação por parte dos patriarcas ou mesmo da nação em certos momentos de apostasia ou dificuldade, contrastando com a imutável identidade de Deus. 'Nosso Redentor' (גּוֹאֲלֵנוּ - 'gō’ălēnū') refere-se ao parente mais próximo que tinha o direito e o dever de resgatar, simbolizando a ação salvífica e de livramento de Deus.
Interpretação Doutrinária
O versículo reforça a doutrina da Paternidade de Deus para com Seu povo eleito, que transcende os laços humanos e até mesmo o reconhecimento histórico. Ele também destaca a doutrina da Redenção, pois o título 'Redentor' ('Go'el') aponta para a obra salvífica de Deus, que culmina na redenção efetuada por Jesus Cristo, nosso Redentor eterno (Isaías 43:14, 48:17). A aliança de Deus com Seu povo é imutável, baseada em Seu caráter e propósito, e não nas falhas humanas.
Aplicação Prática
Os crentes devem firmar sua confiança na Paternidade de Deus, sabendo que Ele é imutável e fiel, mesmo quando as circunstâncias ou o reconhecimento humano falham. Devemos também reconhecer e agradecer a Deus como nosso Redentor, lembrando que nossa salvação e esperança estão ancoradas Nele desde a eternidade.
Precauções de Leitura
Evitar interpretar 'Abraão nos não conhece' como se os patriarcas estivessem alienados de Deus; o foco é a fragilidade do reconhecimento humano em contraste com a fidelidade divina. Não isolar o conceito de 'Pai' de Israel sem a devida conexão com a Redenção e a aliança.