"Nem tu as ouviste nem tu as conheceste nem tão pouco desde então foi aberto o teu ouvido porque eu sabia que obrarias muito perfidamente e que eras prevaricador desde o ventre"
Textus Receptus
"Sim, tu não ouviste. Sim, tu não conheceste. Sim, desde aquele tempo em que teu ouvido não estava aberto. Porquanto eu sabia que tu te comportarias muito traiçoeiramente, e foste chamado um transgressor, desde o útero."
O profeta Isaías, falando em nome de Deus, declara que o povo de Israel não demonstrou entendimento ou obediência aos mandamentos divinos, mesmo desde o seu início, devido à sua obstinada natureza pecaminosa.
Explicação Histórica
A frase 'Nem tu as ouviste, nem tu as conheceste' aponta para uma falha dupla: a falta de audição (acurrib) e a falta de conhecimento/percepção (yada). 'Nem tão pouco desde então foi aberto o teu ouvido' (miqqedem, 'desde o princípio') reforça a ideia de que essa desatenção e ignorância eram de longa data. A razão dada é 'porque eu sabia que obrarias muito perfidamente' (baqshod timrodem, 'agirias com traição/deslealdade') e 'eras prevaricador desde o ventre' (wəšəmua' mibēten, 'e pecador desde o ventre'). Isso indica uma predisposição inata ao pecado e à infidelidade para com Deus.
Interpretação Doutrinária
Este texto reflete a doutrina da depravação total ou inclinação ao pecado inerente à humanidade após a Queda, conforme a teologia pentecostal. Ele demonstra a necessidade da graça divina para a salvação, pois o homem, por si mesmo, é incapaz de buscar ou conhecer a Deus verdadeiramente. A soberania de Deus em conhecer previamente a perfídia humana e ainda assim oferecer um plano de salvação é enfatizada, apontando para a necessidade de arrependimento e aceitação da obra redentora de Cristo.
Aplicação Prática
Devemos examinar nossos corações e reconhecer nossa própria tendência ao pecado e à desobediência. A Palavra de Deus deve ser ouvida com atenção e assimilada com o coração, buscando um conhecimento genuíno do Senhor. A dependência da graça divina é essencial para superar a natureza pecaminosa e viver uma vida de santificação e fidelidade a Deus.
Precauções de Leitura
Evitar a interpretação de que Deus criou o homem propenso ao pecado de forma inescapável, o que anularia a responsabilidade humana. O texto não justifica o fatalismo, mas expõe a realidade do pecado e a soberania divina em operar mesmo em meio à rebeldia humana.