"Falai benignamente a Jerusalém e bradai-lhe que já a sua malícia é acabada que a sua iniquidade está expiada e que já recebeu em dobro da mão do Senhor por todos os seus pecados"
Textus Receptus
"Falai agradavelmente a Jerusalém, e gritai-lhe que sua contenda há terminado de forma favorável, que a iniquidade dela está perdoada, porque ela tem recebido da mão do SENHOR o dobro por todos os seus pecados."
O profeta é instruído a falar consolo a Jerusalém, anunciando que o tempo de seu castigo por causa de seus pecados havia terminado.
Explicação Histórica
A expressão 'falai benignamente' (heb. 'daberu al-lev') sugere falar ao coração, com ternura e consolação. 'Bradai-lhe' (heb. 'qir'u') indica um anúncio público e enfático. A frase 'já a sua malícia é acabada' (heb. 'ki im-luhah tsava'ah') denota que o tempo de sofrimento e o peso da iniquidade foram cumpridos. 'Expiação' (heb. 'kifferah') refere-se ao pagamento ou cobertura do pecado, implicando que o juízo divino foi satisfeito. 'Recebeu em dobro da mão do Senhor' (heb. 'ki luhah mi-yad-Yehovah') não significa uma punição duplicada, mas que o castigo foi completo e suficiente, cobrindo todos os pecados cometidos.
Interpretação Doutrinária
Este texto demonstra o caráter compassivo de Deus para com Seu povo, mesmo após o juízo. Corrobora a doutrina da expiação dos pecados mediante sofrimento e a soberania de Deus em determinar os tempos de juízo e de consolo. A promessa de que o castigo foi 'em dobro' para todos os pecados reforça a ideia de que o juízo divino é completo e justo, e que, uma vez cumprido, a misericórdia pode prevalecer.
Aplicação Prática
Os crentes devem entender que, embora o pecado traga consequências e juízo, Deus é misericordioso para com aqueles que se arrependem. Assim como Jerusalém recebeu consolo após o cumprimento do juízo, os que confessam seus pecados a Cristo encontram perdão completo e restauração, podendo viver em paz com Deus.
Precauções de Leitura
É crucial não interpretar 'em dobro' como um sofrimento adicional ou injusto, mas como a suficiência e completude do castigo necessário para a expiação. O versículo não deve ser usado para justificar a continuidade do pecado sob a alegação de que o sofrimento já foi 'expirado', mas sim como um anúncio de alívio após o juízo justo ter sido cumprido.