Este versículo questiona retoricamente se a concessão do Espírito e a manifestação de maravilhas por Deus ocorrem por meio das obras da lei ou da pregação da fé. Ele sublinha que a operação divina se dá pela fé.
Explicação Histórica
A expressão "Aquele pois que vos dá o Espírito" refere-se a Deus Pai, que é o doador do Espírito Santo, uma promessa cumprida na Nova Aliança. "Obra maravilhas entre vós" (energōn dynameis en hymin) indica a manifestação de poder sobrenatural e milagres que ocorriam na comunidade. A pergunta retórica "pelas obras da lei, ou pela pregação da fé?" (ex ergōn nomou ē ex akoēs pisteōs?) contrasta duas fontes mutuamente exclusivas para a recepção do Espírito e das maravilhas: a observância de mandamentos mosaicos ou a resposta à mensagem do Evangelho. "Pregação da fé" (literalmente "audição da fé") enfatiza que a fé vem de ouvir a Palavra de Deus (Romanos 10:17).
Interpretação Doutrinária
Este versículo reafirma a doutrina pentecostal clássica de que a concessão do Espírito Santo e a operação dos dons espirituais, incluindo maravilhas e milagres, são obras de Deus ativadas pela fé, e não pelo mérito humano ou pela observância de preceitos legais. Ilustra a atualidade da experiência com o Espírito Santo e a manifestação do poder divino na igreja por meio da fé, consolidando a verdade de que a salvação e a vida plena em Cristo são pela graça.
Aplicação Prática
O crente deve buscar a presença do Espírito Santo e a manifestação dos Seus dons através de uma fé viva e ativa no sacrifício de Jesus Cristo, e não por meio de esforços próprios ou rituais legalistas. É um convite à confiança plena em Deus e à expectativa de que Ele opera maravilhas entre os que creem.
Precauções de Leitura
Deve-se evitar a interpretação de que as "obras da lei" referem-se a qualquer tipo de boa obra ou conduta cristã. O texto está focado na Lei mosaica como caminho de justificação. Também, não se deve concluir que a fé dispensa a santificação e a obediência aos preceitos morais de Deus, mas sim que a salvação e o poder divino são outorgados gratuitamente pela fé, sendo a santificação um fruto e não uma condição inicial para a recepção.