"Ao estranho emprestarás à usura porém a teu irmão não emprestarás à usura para que o Senhor teu Deus te abençoe em tudo no que puseres a tua mão na terra a qual vais a possuir"
Textus Receptus
"a um estrangeiro poderás emprestar com usura, mas a teu irmão não emprestarás com usura; para que o SENHOR te possa abençoar, em tudo o que puseres a mão, na terra que vais possuir. "
O versículo instrui Israel a não emprestar com juros a seus irmãos (conacionais), mas permite que o façam com estrangeiros, como forma de obediência que garante a bênção de Deus nas obras.
Explicação Histórica
O termo 'estranho' (no hebraico, 'nokri') refere-se a um estrangeiro, alguém que não pertence à nação de Israel. 'Usura' (no hebraico, 'neshekh') significa literalmente 'mordida', indicando juros cobrados sobre um empréstimo. A instrução é de que a prática de cobrar juros era permitida apenas para com estrangeiros, não para com os concidadãos israelitas ('irmão'). O propósito expresso é que Deus abençoaria a nação em suas atividades econômicas como resultado dessa obediência.
Interpretação Doutrinária
Este texto ilustra o princípio bíblico de que a comunidade de fé deve ter uma ética econômica diferenciada, caracterizada pela misericórdia e pelo cuidado mútuo entre os irmãos. Embora a cobrança de juros a estrangeiros fosse permitida, a proibição de cobrá-los de israelitas demonstra um ideal de solidariedade que reflete a natureza de Deus, que é provedor e justo. A promessa de bênção condicional (se obedecerem) reforça a soberania de Deus e Seu desejo de prosperar Seu povo quando este age de acordo com Seus preceitos.
Aplicação Prática
Os cristãos hoje devem demonstrar amor e solidariedade uns com os outros, especialmente em questões financeiras, evitando explorar os irmãos na fé. Embora a lei mosaica não seja diretamente aplicável como código civil, o princípio de não explorar e de auxiliar o necessitado dentro da igreja permanece válido, refletindo o mandamento de amar o próximo como a si mesmo. Devemos administrar nossos recursos com integridade e generosidade, confiando que Deus abençoa tal conduta.
Precauções de Leitura
É importante não interpretar este versículo como uma permissão para a exploração financeira de não-crentes, nem como uma proibição absoluta de qualquer forma de juro no contexto econômico moderno. A aplicação deve focar no princípio ético subjacente de não explorar e de cuidar dos irmãos na fé, sem aplicar a lei civil mosaica diretamente à sociedade contemporânea.