Este versículo declara que os cristãos são chamados a seguir o exemplo de Cristo, que padeceu por eles, suportando sofrimento injusto com paciência.
Explicação Histórica
A expressão 'para isto sois chamados' (Grego: eis touto eklethete) aponta para o propósito divino do cristão de suportar sofrimento injusto, como mencionado nos versículos anteriores. 'Padeceu por nós' (epahthen hyper hymon) significa que Cristo sofreu em nosso lugar, tanto redentora quanto exemplarmente. 'Deixando-nos o exemplo' (hypolimpanon hymin hypogrammon) usa a palavra 'hypogrammon', que denota um modelo ou um guia de escrita, indicando que a vida de Cristo serve como um padrão a ser copiado. 'Para que sigais as suas pisadas' (hina epakolouthesete tois ichnesin autou) reforça a ideia de imitação, de seguir de perto o caminho trilhado por Cristo, suportando com retidão e paciência.
Interpretação Doutrinária
Este texto consolida a doutrina da santificação e da imitação de Cristo. A expiação de Cristo não apenas nos salva, mas também nos provê um modelo para a vida cristã, especialmente na maneira de suportar aflições e perseguições por causa da justiça. A Igreja, como corpo de Cristo, é chamada a refletir a paciência e a retidão de seu Senhor em meio ao sofrimento, evidenciando a obra do Espírito Santo que capacita o crente a viver em santidade e obediência, mesmo diante da adversidade, confirmando o chamado pentecostal à busca da santificação pessoal e à atualidade dos dons espirituais que fortalecem o crente.
Aplicação Prática
O cristão é exortado a aceitar e a suportar com fé e paciência os sofrimentos e injustiças que possam surgir na vida, lembrando-se que Cristo foi o primeiro a padecer por amor e justiça. Devemos buscar imitar a atitude de Cristo, respondendo ao mal com o bem e à injustiça com retidão, confiando na soberania e no cuidado de Deus, cultivando um espírito de mansidão e submissão à vontade divina, mesmo nas provações mais severas.
Precauções de Leitura
É crucial não interpretar este versículo como um incentivo à busca ativa pelo sofrimento ou à passividade diante de abusos que requeiram ação justa. O texto não anula a busca por justiça legítima, mas instrui sobre a postura interior e espiritual do crente ao enfrentar o sofrimento inevitável por sua fé. Também não se deve desvincular o sofrimento de Cristo como exemplo de seu sofrimento redentor; ambos são interdependentes na teologia cristã.