"Quando eu era menino falava como menino sentia como menino discorria como menino mas logo que cheguei a ser homem acabei com as coisas de menino"
Textus Receptus
"Quando eu era criança, falava como criança, entendia como criança, pensava como criança; mas quando eu me tornei homem, eu coloquei de lado as coisas infantis. "
O apóstolo Paulo utiliza a analogia do crescimento de menino para homem para ilustrar a transição de um estado de compreensão parcial para um conhecimento mais completo e maduro da fé.
Explicação Histórica
A expressão 'Quando eu era menino' (Gr. 'hote ēmen nēpios') refere-se a um estado de infância ou imaturidade. 'Falava como menino', 'sentia como menino' e 'discorria como menino' descrevem ações, pensamentos e raciocínios limitados pela pouca idade. 'Mas, logo que cheguei a ser homem' (Gr. 'hote gegona anēr') indica uma transição para a maturidade adulta. 'Acabei com as coisas de menino' (Gr. 'katērgēka ta tou nēpiou') significa que o que era próprio da infância foi abandonado ou tornado ineficaz, ilustrando a superação do conhecimento e das manifestações parciais.
Interpretação Doutrinária
Conforme a perspectiva pentecostal clássica, este versículo ilustra a necessidade de progredir na fé, buscando a maturidade espiritual em Cristo. Assim como a criança amadurece, o crente deve deixar para trás a compreensão limitada e as manifestações iniciais da fé para alcançar um discernimento espiritual mais profundo e uma vida mais plena em Cristo, conforme ensinado em Efésios 4:13. Embora os dons espirituais sejam válidos e atuais, a busca pelo amor e pela santificação é o objetivo final.
Aplicação Prática
O cristão é chamado a buscar diligentemente a maturidade espiritual, abandonando atitudes, pensamentos e práticas que denotam imaturidade espiritual. Devemos almejar um conhecimento mais profundo da Palavra de Deus e uma vivência do amor que edifica a Igreja e reflete a plenitude de Cristo.
Precauções de Leitura
É um erro interpretar 'coisas de menino' como uma rejeição total dos dons espirituais atuais. O texto não anula a validade dos dons, mas enfatiza sua natureza transitória e incompleta em comparação com a plenitude do conhecimento e do amor que virão. Não se deve usar este versículo para menosprezar a manifestação dos dons, mas para incentivar a busca por uma compreensão e uso mais maduro e amoroso deles, sempre com foco na edificação.